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100 anos de Noel Rosa

Noel Rosa

2010 é o ano do centenário de Noel Rosa (1910 -1937). O compositor ganha, no decorrer do ano, uma série de homenagens pelo centenário de seu nascimento, como já fez a escola Vila Isabel, no desfile do carnaval do Rio de Janeiro. Martinho da Vila, autor do samba-enredo mostrado pela escola na avenida, é o principal artista do disco que virá encartado em “Noel Rosa -100 Anos de Samba”, livro programado para chegar às lojas em maio.

O projeto foi idealizado por Júlio Diniz, do departamento de Letras da Puc-Rio, sendo uma parceria entre a Editora Puc-Rio e a gravadora Biscoito Fino. O CD vai trazer sambas menos conhecidos de Noel. Quem os interpreta é Martinho e a família, incluindo os filhos Tunico Ferreira, Analimar e Mart’nália.

Já o livro reúne 14 textos inéditos, maior parte deles escrita por figuras do meio acadêmico, que vão analisar diferentes aspectos da obra de Noel. “Cada texto tem como fio condutor um samba de Noel - ou, em alguns casos, um grupo deles”, diz Diniz. “Trazem à tona o Rio da época, a malandragem, a boemia, a arte.”

Santuza Cambraia Naves, professora do Departamento de Sociologia e Política da Puc-Rio, traça paralelos entre Noel e o modernismo. “Apesar de não ser um intelectual, Noel fez canções que realizam a estética modernista”, ela diz. “O samba “Gago Apaixonado”, por exemplo, é completamente metalinguístico. A música gagueja junto com a letra. Isso só aconteceria de novo com tamanha eficiência em composições da bossa nova, como “Samba de uma Nota Só’”.

Em seu capítulo no livro, Júlio Diniz rememora a redescoberta de Noel nos anos 1960, bancada principalmente pelo encontro e amizade de Maria Bethânia com Aracy de Almeida, ainda hoje considerada uma das maiores intérpretes do compositor da Vila. Diniz dedica muitas linhas de sua tese às primeiras composições de Chico Buarque e lembra que o jovem artista seguiu de perto a escola poética do veterano, acrescentando a ela as harmonias sofisticadas aprendidas com a bossa nova.

Martinho não tem certeza se vai conseguir escrever seu texto em tempo hábil para o lançamento do livro. Mas tem muito a dizer sobre Noel. “Ele combateu preconceitos contra músico, contra mulher, contra cantor, contra sambista, contra negro. Fez parcerias com Cartola, Ismael Silva, com a negrada toda”, diz. “Até o preconceito sexual que era terrível ele combatia. Dedicou a Madame Satã, que era negro, bandido e homossexual. Quem na música popular brasileira fez mais do que isso?”

Fonte: Folha
Por Marcus Preto

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