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Jazz e rock convertidos em trilhas de videogame

Compositor em show ao vivo tocando músicas baseadas em timbres de jogos de videogame clássicos

O tributo pode soar como heresia aos ouvidos puristas dos amantes do jazz: “Kind of blue”, provavelmente a maior obra-prima do gênero, gravada em 1959 por craques como Miles Davis e John Coltrane, está ganhando uma nova edição comemorativa. Só que, desta vez, para os fãs da geração videogame.

Releitura das cinco faixas do clássico absoluto de Davis, “Kind of bloop” - o nome é uma brincadeira com os blips e blops que saíam dos games da década de 80 e 90 - reúne alguns dos principais nomes de uma cena que ficou conhecida como chiptune, formada por músicos e DJs ligados em tecnologia que resolveram transformar seus antigos consoles e computadores em instrumentos de composição musical.

Chip responsável pela sonoridade das músicas de jogos antigos dos anos 80, e interface de programa do chiptune

A sonoridade retrô, facilmente reconhecida por qualquer um que já tenha jogado Super Mario Bros ou Sonic na vida, é uma das principais características das faixas do chiptune. A outra é a paixão dos participantes pela cultura dos games.

“Por ter crescido com o [computador] Commodore 64, o NES [console de 8-bits da Nintendo] e a cena de ‘mods’ dos jogos de PC, sempre fui fã dessa estética do chiptune”, explica Andy Vaio, idealizador do projeto “Kind of bloop”. “Durante anos eu imaginei como o jazz soaria em chiptune. Clássicos do jazz, revistos sob as lentes da era dos 8-bits. Mas depois de toneladas de pesquisas, só consegui achar três faixas.”

A solução foi correr atrás de parceiros que topassem o desafio de transformar o sonho em realidade. Escolheu os músicos entre a nata do chiptune e, através de um site chamado Kickstarter, do qual é um dos empregados, Vaio resolveu convocar os internautas para financiar o projeto. Para lançar o disco - que sairá em versão MP3 e física em 17 de agosto - e pagar os direitos autorais das faixas originais, Vaio calculou que precisaria de US$ 2.000.

O famoso jogo de Nintendo 8 bites, Super Mario Bros 3. Capa do cartucho e tela do jogo.

“Conseguimos os US$ 2.000 em quatro horas. Fiquei de queixo caído”, revela o empreendedor, que pretende usar o restante do dinheiro para pagar a impressão e envio dos CDs e pagar os artistas. A um dia do encerramento do prazo para ajudar a financiar o projeto, marcado para este sábado (1º), seu “Kind of bloop” já acumula mais de US$ 8.000. “Não vou ficar com nada”, promete Vaio.

Fonte: G1

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